Donos de animais adotados falam porque decidiram acolher os bichos

Donos de animais adotados falam porque decidiram acolher os bichos

Em uma cidade com grande número de animais abandonados, como Salvador, “adotadores” contam como acolheram seus novos bichos

Juliana Almirante e Marina Baruch

O abandono de animais é tão comum que, de acordo com balanço divulgado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) em 2012, a população de rua, somente de cães, chegava a 60 mil na cidade. Até mesmo os donos de bichos que procuram atendimento no Hospital de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Bahia (EMV – UFBA) costumam deixar os animais por lá. “Muita gente abandona, mas nós não possuímos abrigo. O que podemos fazer é intermediar a adoção. Alguns animais são adotados por outras pessoas que procuram o hospital, outros por meio de ONGs que entramos em contato para viabilizar o processo”, explica o diretor da unidade, Carlos Humberto. Segundo ele, o hospital também pode dar descontos em procedimentos veterinários, como a vacinação e a castração, se o paciente for adotado e o novo dono não tiver condições financeiras para arcar com os gastos. “E se o animal tiver alguma doença que servir de estudo para alguma aula, nós atendemos gratuitamente”, afirma.

A economista Tereza Pozetti resolveu receber outro animal em casa quando o seu cachorro de estimação, o dachshund Charlie, ficou doente, para fazer companhia a ele. Foi assim que adotou, há cerca de três anos, a vira-lata Paris, que acompanhou até o fim da vida.  Para Tereza, a nova amizade foi importante para Charlie nos seus últimos meses. “Quando Paris chegou, Charlie ficou mais comportado e eles foram muito companheiros. Ele adotou Paris e Paris adotou ele”, conta. A decisão de adotar foi tomada quando uma conhecida encontrou filhotes abandonados na rua e os recolheu. “O destino de um animal que não tem raça é morar na rua, porque ninguém quer cuidar. Então eu decidi entrar na boa política da adoção”, explica a economista.

Ao passear com Paris em uma praça perto de casa, na Pituba, Tereza encontrou a jornalista Heliana Frazão, que alimenta e cuida dos gatos abandonados que ficam por lá. “Quando tem adoção em vista, levo o bicho para ser castrado e tomar vermífugo. Custeio tudo”, diz a jornalista. Depois, o gato é doado com kit completo: caixinha de areia, ração, pratinhos de água e comida. Heliana estima que já fez o trabalho com mais de 50 gatos e 10 cachorros.

Um dos gatos tratados por ela foi adotado por Tereza há cerca de um mês. “Sempre que passava pela praça eu via gatinhos abandonados e pensei em adotar um. Quando vi a foto de um deles no [perfil no] facebook de Heliana, achei lindo e resolvi pegar”, conta a economista. No mesmo dia, Miró, como foi chamado, chegou à casa de Tereza para adaptar-se à cadela Paris. “No início ela ficou meio surpresa, observando o gatinho, mas logo se acostumou. Hoje, Miró acha que Paris é mãe dele”, brinca.

Carminha foi encontrada no lixo e virou o xodó da família de Renata. Foto: Arquivo Pessoal

Também na tentativa de que mais um bichano não ficasse nas ruas exposto a riscos, a professora Renata Reis resolveu acolher a gata encontrada em um cesto de lixo no bairro de Pernambués, enquanto caminhava com uma prima de cinco anos, que ouviu o miado do animal. “Ali tem muitos casos de maus tratos a animais, muitas vezes encontramos mortos. Por isso fiquei com medo de que esse fosse o mesmo fim dela”, conta. Batizada como Carminha, a felina recebeu tratamento contra pulgas, vacinação e castração. Renata lembra que, no começo, sua família apresentou resistência com a chegada do animal em casa, porque não queria alterar a rotina e assumir os gastos financeiros para criá-lo. “Mas ela já virou parte da família e todo mundo é apaixonado por ela. É um caso de amor incrível. Carminha tem uma coisa que cativa mesmo”, define.

ONGs que viabilizam adoção:

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Blog de adoção da União Protetora de Animais (Upas)
Blog de adoção da Associação Brasileira Protetora dos Animais Seção Bahia


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