Fotografia de arte ganha espaço em Salvador

Natália Reis e Vanice da Mata 

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É o caso dos trabalhos do “China” (ou Oske, apelido de infância pelo qual Hirosuke Kitamura gosta de ser chamado), fotógrafo japonês radicado na Bahia desde 1993.

Oske possui fotografias no acervo da 1500 Galery – importante galeria baseada em Nova    York desde 2010, e em processo de mudança para o Rio de Janeiro. A 1500 representa renomados fotógrafos brasileiros com trabalhos predominantemente voltados para fotografia contemporânea, como João Castilho, Cláudio Edinger e a baiana Beatriz Franco. Segundo Oske, apesar de a galeria sempre desejar produzir poucas cópias de suas fotografias, ele não abre mão do seu poder de decisão sobre o seu trabalho. “É claro que a galeria sugere, acha se tá caro demais, ou não. O valor também sou eu quem decido”, pondera o fotógrafo, cujo trabalho, via de regra nascido de sua câmera Hasselblade tem variado hoje entre US$ 4 mil e US$ 5 mil (em torno de R$ 9,4 mil e R$ 11,7 mil).

Para Mamede, alguns novos autores estão surgindo, como Alex Oliveira, Ivan Coelho e Maíra Lins. Há também fotógrafos de outra geração, mais ligados à tradição documental, que começam a dialogar com este cenário e estão conquistando espaço como Aristides Alves, que integra a importante Coleção Pirelli/MASP de fotografia. Outros nomes baianos que procuram produzir motivados por esta estética são Valéria Simões, Márcio Lima, Péricles Mendes e André França.

“Aura” para a fotografia – A serialização é o principal recurso de que o mercado lança mão para valorizar a fotografia enquanto obra de arte: consiste em “limitar” a reprodução de determinada imagem, ante a capacidade infinita de reproduzi-la. Para cada obra, o fotógrafo ou o galerista define uma quantidade limite de reproduções. “Por exemplo, em alguns trabalhos eu só posso fazer 20, 15 ou 5 cópias. Quanto menor o número de cópias, maior o valor da obra. Quanto mais vai-se chegando perto da última da série, também, mais caro vai ficando”, explica Oske.

O “China” admite a tendência a querer sempre fazer mais cópias de seus trabalhos – o que vai completamente de encontro ao interesse das galerias, que sempre querem fazer menos. Na medida em que a obra vai ficando mais rara, seu valor de negociação aumenta. Tal prática ainda reflete a noção de obra de arte historicamente construída como algo exclusivo, dotado de uma aura, ideia apropriadamente trabalhada por Walter Benjamin no famoso ensaio “A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica“.

Na contramão dessa lógica, a Fundação Pierre Verger, instituição criada em 1988 pelo etno-fotógrafo francês que dá nome à organização, vê na ampla reprodução o caminho para preservar o acervo deixado por Verger. “Nossa política é vender a foto tantas vezes quanto o cliente queira”, explica Alex Baradel, responsável pelo acervo fotográfico da Fundação. Segundo Baradel, as pessoas que buscam uma foto de Verger não são necessariamente movidas pelo critério da exclusividade, mas pelo do afeto por uma imagem. A cada ampliação vendida, a imagem vai ganhando um “sobrenome”, que representa o número de vezes que ela foi reporduzida – x/1, x/2, etc. A primeira ampliação sempre é mais barata. A cada nova ampliação de determinada imagem a pessoa pagará mais caro por ela.

Outro elemento importante para valorização de uma fotografia no mercado da arte é a autenticação. Ela pode ser feita através de um carimbo, que funciona como uma marca d’água em relevo, desenvolvido pelo próprio fotógrafo ou pela galeria que o representa, através de um selo holográfico com códigos únicos, disponibilizado por empresas de papel fineart – utilizados para imprimir as fotografias – que registram a obra, ou através de um certificado emitido e assinado pelo fotógrafo. Segundo Ricardo Prado, fotógrafo que também faz parte do acervo da Alma “estas formas de autenticação legitimam e agregam valor à obra no mercado da arte”.

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