Dores crônicas atrapalham a rotina de 76% dos brasileiros

Dores crônicas atrapalham a rotina de 76% dos brasileiros

Dor é um dos principais motivos para a ausência no trabalho

Juliete Santos | Foto: Alex Abian

Dor de cabeça, de cotovelo, de barriga, de amor. São incontáveis as dores as quais o corpo humano está vulnerável. O Mapa da dor no Brasil apontou que a dor atrapalha a rotina de 76% dos brasileiros. A pesquisa foi realizada pela empresa farmacêutica Mundipharma. A dor mais recorrente é a dor de cabeça, que atinge 81% dos brasileiros, dores nas costas, 46% e dores nas pernas e pés, 43%. O levantamento entrevistou 801 pessoas em 11 capitais das cinco regiões brasileiras.

Segundo a pesquisa, a dor crônica é a principal responsável pelo comprometimento da vida social e do trabalho de 60% dos brasileiros. Ela é o motivo de 30% das faltas no trabalho, o que gera prejuízos tanto para o funcionário como para a empresa. O levantamento revelou ainda que apenas 20% da população procura tratamento para esse tipo de dor.

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Dor contínua – A Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) estima que 60 milhões de brasileiros sofram de dor crônica, que é definida como a dor que persiste ou recorre por mais de três meses. A demora e o descaso para procurar ajuda médica quando a dor ainda é um problema discreto contribui para que ela se agrave a ponto de se tornar insuportável, em alguns casos.

O médico Diego Bonfim alerta para a necessidade de procurar rapidamente ajuda de um especialista, visto que a dor crônica pode está relacionada a graves doenças. “Se a pessoa tem uma dor que está se cronificando, é porque o organismo já desenvolveu mecanismos para ampliar essa dor. Então, é necessário tomar medidas para combatê-la. O paciente precisa ser medicado da forma correta, caso contrário essa dor vai permanecer e desenvolverá algo muito pior”, alerta.

Bomfim ressalta que a dor crônica pode ter uma associação direta com o estresse e aspectos emocionais. “Existe basicamente um ciclo entre a dor crônica e a depressão. As pessoas que estão deprimidas têm uma tendência maior a desenvolver dor crônica. As pessoas que sofrem de dor crônica também têm uma predisposição a apresentar, por conta da dor, sintomas de depressão e ansiedade”, adverte.

Tratamento – O tratamento depende da gravidade das dores que o paciente apresenta, ainda que algumas atitudes ajudem o paciente a ter mais qualidade de vida e a não sofrer tantos com os sintomas das dores. As mudanças de hábito e atividades físicas é uma delas. Diego Bomfim explica quais são as formas de tratamento.

Importância – A dor funciona como uma reação vital de alerta do organismo, senti-la é fundamental para a manutenção da sua integridade. Se o indivíduo está cozinhando e coloca a mão em uma panela quente, ele vai sentir dor e instintivamente tirá-la, portanto, ela é um dos mecanismos de defesa para corpo. Porém, algumas doenças e síndromes inibem a presença da dor. A síndrome de insensibilidade congênita à dor é um exemplo. Essa anomalia impede por completo ou parcialmente qualquer sensação de dor no corpo dos seus portadores. Essas pessoas estão mais propensas a se machucarem ou se cortarem sem que percebam.

A diabetes também está entre as doenças que fazem o indivíduo perder a capacidade de sentir dor física. Nesse caso, o excesso de açúcar no sangue vai aos poucos provocando modificações no organismo. Umas dessas alterações acontecem nos vasos sanguíneos, responsáveis por levar sangue para todo o corpo, inclusive para os nervos. A glicemia elevada faz com que nervos mais distantes como os dos pés percam sensibilidade e o paciente não perceba. A amputação por diabetes é a principal causa de retirada de membros no Brasil, uma vez que o diabético pode não se dar conta de que está ferido.

A hanseníase também compromete a saúde do indivíduo. Ela é uma doença infecto contagiosa causada por uma bactéria que afeta os nervos. A doença tem tratamento, mas se for feito tardiamente pode deixar sequelas, como a perda da sensibilidade protetora do paciente.