Foto: Flickr/Tony Alter

Tatuagens suspeitas

Cartilha lançada pela PM-BA gera polêmica ao relacionar tatuagens à prática de crimes

Thaís Santos e Raul Aguilar 

Palhaço, índia e personagens de filmes de terror estão entre os símbolos mais tatuados em criminosos, segundo a cartilha de orientação policial Tatuagens: desvendando segredos, criada pelo Capitão Alden José da Policia Militar do Estado da Bahia (PMBA). Estas imagens seriam sinais de praticantes de crimes como tráfico de drogas, assaltos e homicídios.

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“Estima-se que hoje na população carcerária do Brasil, mais de 60% dos presos do sexo masculino tenham algum tipo de desenho estampado no corpo. Sendo que aproximadamente 20% afirmam ter se tatuado enquanto cumpriam pena”, assegura, para justificar a criação do catálogo de imagens. A cartilha tem a finalidade de oferecer informações adicionais aos agentes de segurança pública. “Percebemos que as tatuagens narram a história do preso e do grupo ao qual está inserido. A questão da tatuagem no meio criminal se tornou uma identidade, uma forma de demarcação estilística”, afirma Alden, que alega ter feito a cartilha com base em uma década de pesquisa.

No entanto, há quem defenda outro ponto de vista, como o psicólogo criminal do centro de recuperação Fundação Dr. Jesus, Jamilton Vasconcelos, que abriga infratores e dependentes de drogas. Embora concorde que a tatuagem possa revelar a ligação de algumas pessoas com crime, essa relação não é obrigatória. Nos casos em que as associações criminosas existem, o psicólogo destaca que é normal os indivíduos entrarem em conflitos com suas imagens após o tratamento. “Ao chegar no centro para o tratamento muitos que tem as tatuagens presentes na cartilha negam que tenham relação com o crime, outros assumem. Observo bastante que depois que participam do processo de recuperação, alguns passam a repudiar essas imagens”, afirma.

Vale destacar neste caso que as tatuagens servem como fonte de informações entre os próprios detentos e podem indicar nível de periculosidade, crimes cometidos e pertencimento a facções. Dividida em categorias, a cartilha traz informações sobre o significado das tatuagens e suas variações e o tipo de indivíduo que as possui. Também é possível encontrar questões que envolvem facções e máfias internacionais.

não é discriminar pessoas que possuam tatuagens, pois seria discriminar o próprio ser humano que ao longo de sua história utilizou a tatuagem como forma de expressão”.

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