Museus são criados para homenagear personalidades baianas

Museus são criados para homenagear personalidades baianas

Raul Aguillar

Thomé de Souza, Castro Alves, Jorge Amado, Ruy Barbosa, Pierre Verger e Carybé, esse são nomes de alguns baianos e estrangeiros que entraram para a história constituindo obras relevantes e participando ativamente para a construção de uma Bahia melhor, através do Direito, da Literatura e das Artes. Para manter personalidades como essas vivas na memória dos baianos, a Prefeitura de Salvador, junto com instituições privadas de preservação a patrimônios culturais, desenvolve o plano de restauração e criação de museus, memoriais e parques na cidade.

Além de promover espaços de cultura para os baianos, o projeto fomenta o turismo através da inclusão desses novos espaços culturais na lista de pontos de visitações para os turistas. Esse processo começou há um ano e já mostrou resultados, a exemplo da restauração e entrega da Casa de Jorge Amado no Rio Vermelho. A antiga residência do escritor se transformou em um memorial. O local abriga peças de roupas e acessórios do lar usados pelo escritor. Além das obras, o espaço conta com painéis interativos e uma acústica com vozes dos ex-moradores. A reforma custou R$ 6 milhões e foi executada com a parceria entre a Prefeitura de Salvador e a Fundação Jorge Amado.

Entre a criação e a preservação – No Pelourinho uma transversal abriga várias casas em modelos coloniais. portas altas e janelas grandes com batentes revelam que as construções são dos séculos passados, tempo em que os homens eram divididos em dois: escravos e livres. E foi nesse período que um homem de um metro e setenta, olhos grandes e bigode volumoso resolveu lutar para acabar com essa divisão. E não foi só contra a escravidão que Ruy Barbosa lutou, a república e o desenvolvimento do país foram fortemente defendidos e planejados pelo jurista.

Contradizendo a lógica da Prefeitura de Salvador, a casa de Ruy Barbosa está fechada a mais de um ano. O espaço é tombado e foi transformado em um memorial com obras, móveis, peças e roupas utilizadas pelo jurista. A casa é administrado pela Associação Baiana de impressa e não tem previsão de retorno às atividades. Para José Carlos Santos, advogado e frequentador do espaço, o fechamento é uma perda muito grande para a sociedade. “Entrar na casa de Ruy Barbosa é reviver a história desse brilhante jurista que revolucionou a história do direito no país, tendo reconhecimento nacional e mundial. E ver o espaço que abriga sua memória fechado é realmente lamentável, é uma perda muito grande para a cidade”, opina.

João Santos, restaurador de bens culturais do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), afirma que a maior dificuldade encontrada por restauradores não é o tombamento nem a criação de museus ou memoriais, mais a manutenção do espaço e a conscientização de que o local restaurado só pode ser modificado por um especialista. “A verba para a cultura no Brasil é insuficiente para a manutenção desses diversos espaços. Por vezes, nós restauramos o local e com o passar do tempo o proprietário ou responsável pela a manutenção do espaço resolve intervir no ambiente, pintar ou fazer reformas sem consultar o IPHAN. E não é difícil ver espaços tombados danificados por ações humanas, 90% dos casos são assim”, pontua João.

No pé da ladeira da rua do Sodré, uma casarão com inúmeras janelas se destaca na paisagem. Na parte interior uma escada de lustre em estilo colonial, todo em madeira chama a atenção. Na parte de cima um quarto, cadeiras e um quadro contrastam com o teto em madeira e pilastras com detalhes de fino acabamento. O hoje colégio Ipiranga, durante anos foi abrigo para, talvez, o maior poeta que a Bahia produziu: Castro Alves.

Foto: Raul Aguillar

A antiga casa foi transformada em escola de nível médio e recebe hoje mais de 500 alunos por dia. Em alusão ao poeta há apenas a estrutura e a história que a casa carrega. Apesar de tombada, ela não foi transformada em museu ou memorial. A estudante Jéssica Santos sabe de cor quem foi e qual a importância do antigo proprietário para a Bahia. “Quem morava aqui antigamente era Castro Alves. Era aqui que ele escrevia alguns poemas combatendo a escravidão. Ele foi muito importante para a luta contra escravidão na Bahia e no Brasil”, destaca.

O comandante da 6ª Região Militar do Exército, o general Artur Costa Moura, e o prefeito ACM Neto assinaram um termo de cessão do uso dos fortes São Diogo e Santa Maria para a reformas e criação dos museus em homenagem a Pierre Verger e Carybé. Os fortes abrigaram acervos pessoais e de obras do pintor e do escritor.

De Thomé de Souza a Carlos Marighela – Um decreto do prefeito ACM Neto pretende criar um memorial para homenagear o fundador da cidade de Salvador, o português Thomé de Souza. O decreto publicado em 1º de Agosto de 2014 pretende trazer os restos mortais do idealizador da capital baiana que hoje se encontra no distrito português de Vila Franca de Xira, em um túmulo particular. Dois locais disputam para abrigar o corpo de Thomé, são eles a Praça Municipal, onde atualmente se localiza uma imagem em sua homenagem, e a Península de Itapagipe, que deve passar por um processo de requalificação. O início das obras e o traslado do corpo ainda não têm data definida.

Outro que também será homenageado é o militante de esquerda e ex-guerrilheiro Carlos Marighela, morto em 1969 em uma emboscada armada por policiais ligados ao Regime Militar. A casa na Rua João de Deus, onde Marighela cresceu e viveu durante infância e adolescência, deve se tornar um memorial. Objetos pessoais do Maringhela, bem como um acervo documental, fotográfico e recursos visual irão reconstituir parte da infância, adolescência e o período de militância política até sua morte. A obra orçada em R$ 200 mil ainda não tem data para o início. O processo tramita no Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC), que fará uma análise da estrutura do local, já que a residência faz parte do Pelourinho e é tombada pela Unesco.

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