Artes nas escolas

Artes nas escolas

Ensino das artes nas escolas da rede pública no Brasil tem provocado debate entre alunos e profissionais da educação

Jéssica Alves

De acordo com o Instituto Arte na Escola, o último censo realizado pelo MEC/Inep/DEED e elaborado pelo Movimento Todos pela Educação, em 2013, revelou que apenas 6% dos docentes lecionando a disciplina no país, são formados em artes. Desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96) a Arte se estabeleceu como disciplina obrigatória nos currículos escolares. Mesmo assim, muitas escolas ainda têm um déficit no ensino desta matéria.

“A parcela de culpa para o ensino das artes não ampliar nas escolas deve ser atribuída tanto para o governo que não realiza investimentos, assim como a sociedade pela falta de valorização [do campo artístico cultural]”, conta o professor de dança, Marcos Ferreira, 24. Para ele, o ensino das artes desenvolve o aluno no campo da comunicação e amplia o olhar crítico.

O estudante de música, Maurício Viana Soares, 22, acredita que se as escolas públicas tivessem ensino musical, contribuiria de forma eficaz na redução da violência no país. “Se o governo desse a devida importância a este tipo de ensino, vários adolescentes hoje não estariam nas drogas ou na criminalidade”, aponta.

Muitos alunos acreditam que falta incentivo governamental para despertar o interesse da sociedade nas artes. Mas, a estudante de dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), Claudiana Honorio, 23, relata que descobriu o campo artístico através de um projeto da prefeitura de Camaçari. “Era um projeto gratuito para ensinar dança. Participei, e daí em diante, estou há sete anos na área”.

Claudiana é aluna de dança contemporânea | Foto: Jéssica Alves

Segundo Claudiana o incentivo de ingressar neste campo não veio do colégio estadual. “Na escola onde estudava, o ensino artístico era muito limitado. Tínhamos apenas pinturas e não havia aulas, por exemplo, de música ou dança” lembra. Para ela, o ensino das artes precisa ter a mesma valorização que as demais disciplinas.  “Assim como educação social, religiosa e familiar são importantes, as artes também são”, desabafa.

Para Ícaro Ramos, 24, há diversos fatores que dificultam o desenvolvimento do ensino artístico nas escolas e, um deles, é o preconceito. “Já tinha vontade de dançar desde pequeno, mas minha família sempre dizia que era ‘coisa de menina’, mesmo assim o sonho continuou”, conta. Ramos iniciou a carreira artística como ator e hoje é aluno do 5º semestre de dança na Funceb. “Comecei no teatro e fiquei por quatro anos na área, mas a minha paixão mesmo sempre foi a dança”.

De acordo com a Secretária de Educação da Bahia, desde 2008, são desenvolvidas iniciativas de políticas culturais para juventude estudantil. Segundo o órgão, há em todas as escolas o Festival Anual da Canção Estudantil (Face) que é um projeto no qual possui natureza educativa, artística e cultural e promove o desenvolvimento das expressões literária e musical no currículo escolar. O projeto é voltado para os estudantes do sexto ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio.

Festival Anual da Canção Estudantil nas escolas | Foto: Divulgação – Ascom Educação/BA

A Secretaria informou ainda que foi implantado outros projetos artísticos culturais como Artes Visuais Estudantis (AVE), que propõe estimular a criação de obras de artes visuais nos contextos escolares, e o Tempos de Arte Literária (TAL) cujo exercita a produção literária nos ambientes escolares. Além disso, há também os projetos Produção de Vídeos Estudantis (Prove) e Educação Patrimonial e Artística (EPA).

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