O sonho de ser aprovado

O sonho de ser aprovado

Remuneração e estabilidade no emprego levam vários brasileiros a optarem pelo cargo público

Jéssica Alves

Muitos estudantes sonham com a aprovação no concurso público. De acordo com o site PCI Concursos, há mais de 27 mil vagas distribuídas para todos os níveis até agosto, em todo o país. Só na Bahia estão abertas inscrições para mais de 6 mil cargos de níveis médio, fundamental e superior até julho deste ano. Em entrevista ao Impressão Digital 126, muitos “concurseiros” apontaram horários, remuneração e estabilidade no cargo como motivos de optarem pela carreira pública.

O estudante Yure Santana dos Santos, 24 anos, prestou concurso de nível médio à Polícia Federal (PF) para o cargo de Agente, em 2012. Segundo ele, o salário assim como a instituição foram os principais fatores que despertaram o interesse de ingressar no cargo público. “Eu prestei o concurso porque é um sonho meu entrar lá [na PF]. Antes de saber o salário já queria; depois que soube [da remuneração] aumentou mais ainda a vontade”. Apesar de não ter conseguido a aprovação, o estudante diz que não ficou desmotivado e ainda pretende tentar no próximo edital.

Yure diz que diminuiu ritmo dos estudos e agora lê os assuntos uma vez por semana (Foto: divulgação/ arquivo pessoal)

“Posso mudar de ideia futuramente, mas até então eu quero trabalhar internamente no setor de TI”. Evitar a ansiedade e o nervosismo no dia da avaliação não é uma tarefa fácil para muitos concurseiros. Mas Yure conta que desenvolveu métodos para manter o foco e ir tranquilo para o teste. “Antes de qualquer prova tensa eu jogo video-game porque me ajuda muito a relaxar”, explica.

A estabilidade no emprego é o motivo que levou o estudante Tiago Dias, 27 anos, a prestar concurso.  “Não quero ficar velho sendo um profissional de CLT, quero ter estabilidade, principalmente por conta [da dificuldade] de não ser demitido”. Yane Gonçalves de Souza Costa, 20, analisa a sua situação da mesma maneira. “A estabilidade do vínculo empregatício diante do cenário de terceirização que estamos vivendo me leva a tentar”. Tanto que Yane realizou prova de nível superior para Secretária de Saúde da Bahia (SESAB) em junho deste ano.

Dicas do professor Luís Alberto que leciona disciplinas de português e redação em preparatórios para concursos (Foto: ilustração/ Jéssica Alves)

Concorrência está cada vez mais acirrada

A prova disso consiste na quantidade de inscritos para o número de vagas em aberto. Só no concurso da Caixa Econômica Federal em 2014 foram realizadas 1.176.614 inscrições para nove vagas e para a formação de cadastro de reserva em cargos de níveis médio e superior, segundo a organizadora Cespe/UnB. Mesmo com o cenário de alta concorrência, a pedagoga Vannya Andrade orienta o estudante a manter o foco. “Muitos concursos estão com o Regime Especial de Direito Administrativo (REDA) [criado para atender necessidades temporárias do serviço público] e isso causa instabilidade nos empregos públicos; mas não podemos perder a esperança”.

Ter expectativa, porém, não basta. O aluno que busca a aprovação precisa estudar antes da publicação do edital, de acordo com o professor Luís Alberto Ferreira dos Santos, Licenciado em Letras Vernáculas pela UFBA e pós-graduando no curso de Língua, Linguística e Literatura. “Existe uma ‘cultura’ retrógrada no Brasil pela qual todos nós já passamos. O professor avisa a data da prova um mês antes, mas nós protelamos o estudo e só o fazemos na véspera do exame. Isso é estudar? Definitivamente não. O mesmo se dá com aquele candidato – o pseudoconcorrente – que espera sair o edital para estudar. Ele não sabe o que quer da vida”.

Orientações do professor Luís Alberto para alunos que não conseguem sincronizar o tempo com as disciplinas cobradas no edital (Foto: ilustração/ Jéssica Alves)

Materiais de estudo espalhados pela internet nem sempre são confiáveis. Desse modo, o professor faz uma alerta: “Na Internet, o candidato pode verificar que livros estudar, inclusive encontrar o comentário de outros usuários sobre tais livros. [Pode] consultar aos professores especialistas que estão sempre lidando com material atualizado e de melhor qualidade. Além, evidente, dos livros indicados no edital”.

Cardápio da aprovação

A nutricionista Luiza Lopo explica que uma alimentação saudável rica em carboidrato, vitaminas e minerais colabora para o cérebro absorver os assuntos estudados. “Quando se estuda, há um gasto energético; por isso, o ideal é que o aluno esteja bem nutrido”. Luiza conta ainda como o concurseiro deve se alimentar caso a avaliação seja no período matutino. “Se a prova for de manhã, ele [o estudante] precisa tomar um café da manhã bem reforçado”. No período vespertino, por sua vez, a nutricionista ensina como montar o cardápio apropriado.

“A comida precisa ser leve, o ideal é não comer alimentos de difícil absorção, ou seja, os gordurosos porque vai gerar sonolência na hora da prova” explica. No entanto, ainda que o estudante se alimente bem, a nutricionista aponta para a importância de levar alimentos para degustar durante a avaliação. “A cafeína e o carboidrato ajudam no funcionamento cerebral porque dará a energia que o aluno vai precisar”. Ela orienta os estudantes a levarem no dia do concurso barras de cereais ou de chocolates.

Os estudantes que desejam mais dicas de como se alimentar bem para o concurso podem conferir as orientações da nutricionista Karla Jeane da Neo Nutre concedida ao programa Viver Bem.  Veja o vídeo abaixo: