Serviços públicos de saúde se preparam para receber pacientes com microcefalia

Serviços públicos de saúde se preparam para receber pacientes com microcefalia

O aumento de casos da síndrome demanda infraestrutura especializada e multidisciplinar para atender bebês e familiares

Victória Libório | Foto destaque: Caique Bouzas/Labfoto

Um a dois casos para cada mil nascidos vivos. Esta era a projeção da taxa de bebês portadores de microcefalia até o final de 2015, quando as autoridades federais declararam estado de emergência nacional em saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde (MS), atualmente o número de casos suspeitos já soma quase 4800 bebês, dos quais 404 já foram confirmados. Entretanto, a previsão é que este número aumente ainda mais nos próximos meses por conta da possível relação entre a infecção pelo Zika Vírus e as alterações neurológicas dos fetos.

“Como o surto da infecção pelo Zika ocorreu a partir de maio do ano passado, as famílias com bebês atingidos começam a chegar por agora às instituições públicas em busca de tratamento especializado”, afirmam os neuropediatras Janeuza Primo e Antônio Andrade, das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) e Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), respectivamente. Diante desse cenário, instituições públicas de todo o Brasil e, principalmente da Bahia — um dos estados mais afetados pelo Zika — se preparam para receber numerosos casos de bebês com microcefalia ainda em seus primeiros dias de vida.

A medida está de acordo com as “Diretrizes de Estimulação Precoce: Crianças de 0 a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente da microcefalia”, publicada pelo MS em fevereiro deste ano. O documento conta com orientações para a estimulação precoce de crianças portadoras da síndrome.

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Para além do cuidado com o bebê, os serviços apostam no auxílio social e psicológico à família por meio de uma equipe multidisciplinar. Josiane Santana, 36 anos, é mãe de gêmeos, dos quais somente um, o pequeno Bernardo, nasceu portando a síndrome. Três vezes na semana ela se dirige ao Cepred, onde aprende com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais, como fazer o melhor para seu filho.

Entretanto, quando ainda estava se adaptando à chegada do filho, não teve uma boa experiência com o serviço público de saúde. “No posto de saúde do bairro conversei com a pediatra e ela disse: ‘Olha, mãe, você sabe que bebê assim só vive até sete anos, né?’ Mas eu tenho cuidado e acompanho meu filho em todos os médicos, sei que não é assim. Ela falou isso por ignorância”, afirma.

O contato com uma grande equipe de saúde e a realização de exames constantes tomam a maior parte de sua semana e, apesar de estar se adaptando à nova rotina, Josiane revelou algumas táticas usadas para chamar a atenção do filho. Usar cabelo solto e batom vermelho foram algumas das dicas que ganhou dos profissionais do Cepred.

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