Quando o artificial ganha rótulo de natural

Consumidores encontram dificuldades para entender informações sobre composição de produtos  

Luana Silva | Foto: Laís Andrade

Alimentos industrializados são cheios de aditivos químicos, seja para dar uma aparência mais agradável ou para evitar a deterioração do produto. É preciso ficar atento aos componentes presentes no alimento. Para Odilon Braga, especialista em segurança alimentar, não é que as empresas ocultem as informações nos rótulos.

“O problema é a própria configuração das embalagens, ninguém lê porque é muito pequeno. Sendo que a legislação permite usar a palavra ‘natural’ sem muito cuidado, sem identificar exatamente o que seria natural. Então você vê muito isso: ‘Ah, não sei o que lá natural’. Mas na verdade não é tão natural assim, foi feito em laboratório”, afirma.

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disponibiliza em seu site um manual para orientar o consumidor na hora das compras. Segundo a instituição, para ter uma alimentação mais saudável deve-se dar preferência a: Produtos com baixo %VD (Precentual de Valores Diários) para gorduras saturadas, gorduras trans e sódio; e Produtos com alto %VD para as fibras alimentares.

Porém, a própria ANVISA estipula um “limite de sujeira” que é tolerada em alimentos. De acordo com a instituição, fragmentos de pelo de roedor, insetos e areia são permitidos, pois dentro da média estipulada, não prejudicam o ser humano.  Em julho deste ano, cinco marcas de extrato e molho de tomate tiveram que retirar lotes de seus produtos de circulação, pois teriam ultrapassado esse “limite de sujeira”.

Segundo a nutricionista Laís Martins, toda indústria corre o risco de sofrer contaminação. “Por mais que ela siga todo o manual de boas práticas, sempre tem risco de ter pelo, poeira… Eles estipulam um limite porque zero é impossível. O risco que vai causar é se tiver uma grande contaminação. Aí a pessoa pode ter intoxicação alimentar, problemas gastrointestinais, vômito, diarreia, dor de cabeça. Depende do que  causou, da quantidade de alimento contaminado que ela comeu. Vai variar bastante”, afirma.