Foi mainha que disse

Foi mainha que disse

Hábitos e ações cotidianas mostram o poder do pensamento mágico no cotidiano 

Priscila Dórea e Raí Guerra | Fotos: Cícero Cotrim/LabFoto| Arte: Priscila Dórea

Muitas pessoas acreditam no poder de práticas ligadas a uma espécie de magia. Geralmente passadas a de geração em geração nas famílias acabam repetidas mesmo sem um perfeito entendimento do que significam. Ritos mais elaborados, hábitos estranhos (ou não), as simpatias resistem e as mães, geralmente, tem um papel de protagonismo em ensiná-las e preservá-las. Tanto que é comum ouvir alguém justificar após não deixar o chinelo com a sola voltada para cima: “Foi mainha que disse”.

Márcia Silva, 54 anos, diz acreditar que ao ficar com a mão na cabeça uma pessoa pode estar agourando a própria mãe. “Sempre acreditei. Falo isso até para desconhecidos na rua”, relata Márcia, numa mesa de restaurante enquanto almoçava com a família.

Beijar o pão

A aposentada Célia Santos, 76, sempre teve o costume de beijar um pão antes de jogá-lo fora. Ao passar essa crença para os filhos acreditava que era uma forma de não estar renegando o corpo de Cristo, representado dessa forma nos ritos católicos. Apesar de não seguir nenhuma religião, Célia é simpatizante da doutrina espírita kardecista e do catolicismo. Além disso, como tantas outras pessoas, também considera desagradável jogar comida fora e isso reforça seu hábito “mágico”.

Arruda é bom pra ti, visse? 

Ainda há aqueles hábitos que mudam dependendo da região que você tenha nascido. A arruda, planta que apresenta os mais variados usos, também afasta o mal, como afirma Perpétua Portela, 56, atuante no setor de  Recursos Humanos. “Se você quiser afastar mau-olhado, é bom colocar um ramo de arruda dentro de casa. É tiro-e-queda”, afirmou sentada na sala de casa. Logo em seguida, seu genro, Ezequiel Spanholi,  34 anos, urologista nascido no município de Cacique Doble, interior do Rio Grande do Sul conta: “Lá no Sul não tem muito dessas coisas, mas queimamos arruda para afastar as tempestades”, explica.

Faca na Cabeça

Afonso Ferreira, 45, engenheiro elétrico, revela que sempre achou engraçado uma das crenças de sua mãe.“Já vi muitas vezes minha mãe colocar duas facas em forma de cruz sobre uma pancada recebida na cabeça e gritar três vezes: cu cu ru cu, para não deixar que a pessoa ficasse com um enorme galo”, conta, rindo.

No entanto, há aquelas crenças que, mesmo sendo passadas de pai para filho durante anos, a própria pessoa que a relata não leva muita fé, como é o caso de Pedro Evandro. No áudio a seguir ele conta sua história com mais detalhes:

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