Paixão de voluntários preserva o bem estar dos bichinhos

Paixão de voluntários preserva o bem estar dos bichinhos

Amor inspira trabalho de proteção em diversas partes do mundo

Aline Valadares, Camila Jesus e Victoria Goulart | Fotos: Acervos pessoais

Ao redor do mundo, jovens dedicam parte de suas vidas aos animais. Tanto para a preservação de espécies selvagens, quanto para o abrigo de animais domésticos, o trabalho é de cuidado e respeito. De Salvador a África do Sul, sobra motivação àqueles que encontram nos animais, uma das causas de suas vidas.

De 15 em 15 dias, aos domingos, pessoas se reúnem na Praça do Campo Grande, em Salvador, em prol de uma causa: conseguir que gatos abandonados nas ruas possam encontrar um lar. O grupo responsável por isso é o Gatil Irmã Francisca, que faz a feirinha de adoção de gatos já castrados e vermifugados. O evento conta com o Chicafé (venda de lanches)  e um bazar para arrecadar dinheiro.

Uma das voluntárias da ONG é a estudante de Produção Cultural da Ufba, Adele Audisio, 23, que é responsável pelos processos de adoção e pelas redes sociais da causa. “As funções que eu desempenho no gatil são diversas. Eu entrei como responsável por adoções e estruturei melhor a página do Facebook e Instagram, porque antes existiam posts que não sensibilizavam tanto”, afirma Adele. “Sempre fui apaixonada por animais e sempre gostei de ajudar animais de rua. Desde criança eu colocava comida para gatos e sempre me perguntava porque tinham sido abandonados”, completa.

“Organizo o meu tempo para ser voluntária da maneira mais racional possível, porque se fosse emocional eu estaria lá praticamente todos os dias. Eu vou lá pelo menos uma vez por semana, faço uma visita e ajudo nas atividades. E tem as feirinhas também, que eu não abro mão nunca.”, acrescenta a estudante.

Golfinhos

A bióloga Mariana Andrade saiu do Rio de Janeiro para realizar seu sonho em Fernando de Noronha, através do Projeto Golfinho Rotador (da ONG Centro Golfinho Rotador), que promove a conservação desta espécie, e de toda a biodiversidade marinha, através de quatro linhas de atuação: pesquisa, educação ambiental, envolvimento comunitário e sustentabilidade.

Os golfinhos-rotadores, que representam 99,99% dos exemplares da espécie existentes na ilha, possuem o corpo alongado, focinho longo e recebem este nome por terem a capacidade de realizar até sete rotações em torno de seu próprio eixo. “Estes animais são incríveis. Na verdade, trabalhar com a vida animal é um presente. É quando se vê que somos muito pequenos em relação a toda a vida existente. Todos os seres vivos são diferentes e importantes de alguma forma para o meio ambiente”, explica Mariana Andrade.

Mariana Andrade no escritório da ONG

Ela realiza o trabalho de campo, coleta de dados diários da ONG e ministra semanalmente palestras sobre os golfinhos rotadores. Mariana encontra no projeto uma forma de educar os turistas de Noronha e promover uma interação mais consciente com os animais, “A natureza está toda equilibrada e cada peça é fundamental para este equilíbrio”, diz.

Selvagens

O interesse por animais da gaúcha Ana Clara Rappa, estudante de zootecnia da UFRGS, existe desde a infância. Criada com a presença de animais domésticos e sob a influência de madrinha e avó biólogas, desenvolver afeição pelos bichinhos foi algo natural: “Não foi difícil adquirir interesse e curiosidade pelo mundo animal. À medida que fui crescendo tive a oportunidade de pesquisar e ir atrás de lugares em que eu pudesse ter contato com animais não tão comuns”, conta Ana Clara.

Leoa na reserva Glen Afric Country Lodge, África do Sul

A conexão levou a estudante a realizar trabalhos voluntários com animais na África do Sul, onde mergulhou no ambiente de reserva animal em Hartbeespoort e ficou responsável pela manutenção de áreas de habitação de animais selvagens no projeto Living with big cats.  “Limpávamos as áreas em que os animais ficavam, algumas pessoas se dispunham a cortar a carne para a hora de alimentá-los, livrávamos de plantas venenosas as áreas em torno dos recintos, entre outras tarefas de manutenção”, explica a estudante. Além dessas responsabilidades, Ana Clara conta que no voluntariado viveu a experiência de andar com leoas em áreas abertas, caminhar com elefantes e observar cheetahs, leopardos e hienas nos recintos.

Ana Clara alimentando elefante na reserva

Mesmo diante de uma experiência inédita e repleta de descobertas, Ana Clara conta que nem tudo são flores: “Voluntariado não é bonito e cheio de graça como muitas pessoas o pintam. Vi animais se machucarem e morrerem. Tive dias em que o cansaço parecia superar todo amor à causa. Tive vários momentos com vontade de desistir. Voluntariado não é só gostar da causa, é amar além do próprio suor e fadiga”.

Apesar de todas as dificuldades, a experiência só fortaleceu na estudante o amor pelos animais e a fez querer ajudar mais e mais, “É acordar cansada e ir dormir mais cansada ainda. Mas apesar de toda canseira, apesar das manchas roxas nas pernas e calos nas mãos, é saber que é tudo por um bem maior. E que bom que pude participar desse bem”, diz.