Aviso: amor real costuma ser irritante

Aviso: amor real costuma ser irritante

O culto à busca do par perfeito é onipresente. Mas a arte pode dar uma força para se precaver ou, para quem preferir, embarcar nesse sonho 

Luana Silva | Fotos: Divulgação

Crescemos rodeadas por histórias sobre o amor verdadeiro, algo tão raro de se encontrar que, quando finalmente tivermos a sorte de nos depararmos com ele, não devemos deixar escapar. Somos bombardeadas com filmes, livros e músicas sobre essa  cansativa e incessante busca da alma gêmea. Claro, que a maior parte do esforço recai sobre as mulheres que, cansadas de esperar, tiveram que sair à caça do príncipe encantado, mas muitas vezes elas não são avisadas que ele não existe do jeitinho que costuma ser idealizado.

Passada a euforia dos primeiros meses de relacionamento, as manias irritantes começam a se deixar notar:  o jeito de mastigar, a toalha molhada em cima da cama, a tampa do vaso recorrentemente deixada para cima ou nunca saber onde estão as chaves. Parece até que a motivação da vida dele vai ser te deixar estressada. Mas, acredite, não é de propósito. Aí haja amor para suportar cada detalhezinho que não é como você imaginou que seria. O ser humano tem a tendência a projetar no outro os seus desejos. Então, quando a realidade bate à porta a decepção é devastadora.

Mas será mesmo que um sapato deixado no meio da sala é motivo para se terminar um relacionamento? Onde estão os limites que separam o aceitável do insuportável? Quem é que decide isso? O primeiro passo para entrar num relacionamento é aceitar que é praticamente impossível encontrar uma pessoa que combine perfeitamente conosco, que tenha os mesmos gostos, goste das mesmas músicas, dos mesmos filmes, que acredite nas mesmas coisas. Aceita que dói menos, não é mesmo?!

Além disso, temos que lembrar que cada ser humano tem suas individualidades, traumas e inquietações. E, por mais que você queira, não vai conseguir mudar aquela pessoa do dia para a noite e transformá-la no seu par perfeito. Em plena era do amor líquido, fica cada vez mais difícil de acreditar nesse conto (da carochinha) de “metade da laranja” e “tampa da panela”. Ainda assim há quem sonhe em encontrar um amor desses pelo qual vale a pena envelhecer junto.

Pensando nisso, o ID reuniu 10 filmes para quem acredita no amor (ou não). P.S. Contém spoilers.

Filmes para quem quer se apaixonar:

 1. Um Amor Para Recordar – A Walk to Remember

 Dirigido por Adam Shankman, o filme, lançado em 2002, foi baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks.  A história fala de Landon Carter (Shane West), um adolescente problemático que após receber uma punição,  termina se aproximando de Jamie Sullivan (Mandy Moore), que promete ajudá-lo com a condição de que ele  não se apaixone por ela. Mas isso termina acontecendo e Jamie também acaba se apaixonando por ele e tendo  que revelar um segredo que os impede de ficar juntos. Ainda assim, o amor dos dois se mostra resistente até às  provas mais difíceis.

 2. P.S. Eu te Amo – P.S. I Love You
Lançado em 2007 e dirigido por Richard LaGravenese, o filme é baseado no livro homônimo de Cecelia Ahern. Apesar de não ser feliz no trabalho, Holly Kennedy (Hilary Swank) teve a sorte de casar com o amor da sua vida, Gerry Kennedy (Gerard Butler). Porém, ele morre jovem deixando Holly completamente devastada. Mas, antes de morrer ele deixa uma série de cartas espalhadas que vão dando a sua esposa direções que ela deve seguir. Em cada mensagem ele fala sobre como foi feliz durante o casamento deles e desejando que a esposa volte a ter felicidade.

3. Simplesmente Acontece – Love, Rosie
O filme, lançado 5 de março de 2015 com direção de Christian Ditter, retrata a história dos dois melhores amigos Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin). Os jovens estão terminando o último ano do ensino médio e se preparando para a faculdade quando um acontecimento inesperado muda os planos de Rosie. A distância afeta o relacionamento entre eles, mas a atração mútua continua. 

4. Cartas para Julieta – Letters to Juliet
Dirigido por Gary Winick, o filme é de 2010. Sophie (Amanda Seyfried) é uma jovem romântica que viaja para a Itália em “pré-lua de mel” com seu noivo Victor (Gael García Bernal). Porém, a viagem não sai bem como o planejado e ela termina conhecendo uma senhora simpática chamada Claire Smith (Vanessa Redgrave) e seu neto cético, Charlie (Christopher Egan). Junto com Claire e Charlie, ela sai em uma jornada em busca de um amor do passado de Claire, enquanto reavalia seu relacionamento.

5. Como se Fosse a Primeira Vez – 50 First Dates
Dirigido por Peter Segal, o filme de 2004 conta a história de Henry Roth (Adam Sandler), um jovem que acaba se apaixonando por Lucy Whitmore (Drew Barrymore). Porém Lucy sofre de perda de memória e Henry é obrigado a reconquistá-la dia após dia.

Filmes que problematizam o amor:

1. (500) Dias com Ela – (500) Days of Summer
Dirigido por Marc Webb, o filme de 2009 retrata a história de Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt). Ele se apaixona por Summer Finn (Zooey Deschanel), sua colega de trabalho, mas desde o início do relacionamento dos dois a moça deixa claro que a relação é casual e que ela não há recíproca da parte dela. Ao longo do filme vemos as projeções e expectativas por parte de Tom contra a terrível realidade que é não ser correspondido.

2. Ele Não Está Tão a Fim de Você – He’s Just Not That Into You. Lançado em 2009 e dirigido por Ken Kwapis, Ele Não Está Tão a Fim de Você mostra a história de Gigi (Ginnifer Goodwin), uma moça romântica que a cada novo encontro acha que encontrou seu homem ideal. Ela passa horas sentada ao lado do telefone esperando ele tocar, mas isso nunca acontece. Gigi conhece  Alex (Justin Long), que tenta lhe ensinar como o mundo masculino funciona e que, muitas vezes, aquele cara do encontro da noite anterior nem está tão a fim de você.

 

3. Garota Exemplar – Gone Girl
Dirigido por David Fincher, o filme de 2014 é baseado no livro homônimo de Gillian Flynn.  Amy Dunne (Rosamund Pike) e seu marido Nick (Ben Affleck), haviam se mudado para uma cidade nova há um ano. Quando Amy desaparece no dia do seu aniversário de casamento Nick passa a ser o maior suspeito. Enquanto isso, Nick tem provas (pouco convincentes) de que Amy teria tramado toda aquela situação. A medida que ele tenta provar sua inocência, somos apresentados ao relacionamento conflituoso dos dois.

4. As Vantagens de Ser Invisível – The Perks of Being a Wallflower
Lançado em 2012, As Vantagens de Ser Invisível foi dirigido por Stephen Chbosky. Charlie (Logan Lerman) é um jovem com um passado traumático, que tem dificuldade para se entrosar com outros adolescentes. Apesar disso, consegue fazer amizade com Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson). O filme mostra diversos relacionamentos problemáticos como quando Charlie começa um namoro sem gostar de verdade da menina, chegando a comparar o relacionamento com um câncer. Sam só namora caras que a tratam mal. Uma das cenas icônicas do filme é a célebre frase: “Nós aceitamos o amor que achamos  que merecemos”.

5. Frozen – Uma aventura congelante
Frozen é uma das animações mais recentes da Disney. Lançado em 2014, foi dirigido por Jennifer Michelle Lee e Chris Buck. Aclamado pelo público, o filme retrata a vida de duas irmãs que ficam órfãs na infância. Enquanto Anna se sente solitária no castelo e abandonada pela irmã mais velha, Elsa cresce reprimida e se escondendo, sem saber como lidar com seus poderes especiais. O filme rompe com a tradição histórica da Disney quando Elsa diz para a irmã mais nova que ela não pode se casar com um homem que acabou de conhecer. Além disso, o amor verdadeiro que vai salvar Anna no final do filme, não é o heteronormativo,  mas o amor da sua irmã.

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