Se não for pra sofrer, eu nem amo

Se não for pra sofrer, eu nem amo

A cultura da sofrência  invade os relacionamentos amorosos

Raí Guerra| Fotos:  Internet (uso livre)  

Por meio de suas diferentes formas,  o amor não deixa de estar presente em nossas vidas com  muita ou pouca intensidade. Portanto, muita gente já ouviu falar, pratica ou já praticou algo que o acompanha, historicamente: a cultura da sofrência. Isso mesmo: sofrer por amor  é algo que parece nunca sair de moda.

Os momentos de desgaste que movem a sofrência podem estar presentes tanto em relacionamentos convencionais quanto nos poliamores ou relacionamentos abertos.  A sofrência pode ser um mal-estar emocional ou simplesmente a “bad” – aquela tristeza que bate quando passamos por situações complicadas.

O termo sofrência, fortemente utilizado na língua portuguesa desde 2014, nada mais é do que um nova definição para o que antes era chamado de dor de cotovelo, dor de amor. Em outras palavras é o sofrimento causado quando se ama alguém e essa pessoa de alguma forma, te machuca. De tempos para cá, tal sofrência também tem sido considerada uma vertente de outros estilos musicais, advindas do arrocha e do sertanejo –  com origens datadas na década de 1970, difundindo-se por todo o Brasil.

Fonte: Internet

Embalo

Na MPB  não faltam  canções que exploram a temática. Para esses momentos de “bad”, o estudante  Davi Romannoff, 22 anos, revela que geralmente ouve canções deste gênero. A preferida de sua lista é Pra te Lembrar, de Caetano Veloso, cuja melodia, ele afirma, faz com que seu coração sinta toda a vibração do momento.

Alguns outros exemplos entram nesse emaranhado de emoções e desilusões amorosas. A cantora americana, Lana Del Rey, aposta em letras de músicas que ressaltam a solidão e as desilusões, além de melodias tranquilizantes, como Summertimes Sadness. Outro exemplo é Porque brigamos, da cantora Diana – sucesso no período da Jovem Guarda -,  as canções românticas da Bossa Nova, além de várias outras composições, como as mais recentes da dupla Henrique e Juliano e de Marília Mendonça.

Quanto às produções cinematográficas  alguns são inesquecíveis. Nessa lista estão  Atração Fatal (1987) e Ele não está tão afim de você (2009). Livros como o clássico  O Conde de Monte Cristo mostra até onde uma dor de cotovelo pode levar.

Para Raiane Duarte, 23, estudante de Geologia, os momentos melancólicos costumam ser acompanhados de filmes com boas histórias românticas. A Culpa é das Estrelas e Um amor para recordar, obras baseadas em histórias reais, apresentam para ela, um cunho dramático bastante forte, e além disso exaltam muito o romantismo e vários momentos de superação. Raiane ainda revela que as músicas da dupla Jorge e Matheus sempre traduzem seus sentimentos no momento da sofrência. “Louca de Saudade por exemplo, é uma música que mesmo sem você estar sofrendo, você arruma alguma coisa pra sofrer, só de ouvi-la”, afirma, rindo.

Sem vergonha de sofrer 

O cantor Pablo trouxe de volta a sofrência para a era da geração dos smartphones : “É que eu estou, num nível de carência / Que se meu cachorro late, eu escuto eu te amo / É que eu estou passando trote pra mim mesmo / Só pra ter a sensação que alguém me ligou”, diz trechos da música Nível de Carência, lançada em 2015 e que virou sucesso em todo o país.

Pablo, que  embala o coração dos apaixonados desde sua primeira composição em 2010, Baby, vem apostando  sempre no ritmo do arrocha, também conhecido como brega moderno. Ano após ano, ele conquista uma legião de fãs além de diversas parcerias artísticas interessadas em seu trabalho.

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