Como nos jogos, avanços acontecem em fases

 

O que separava Ana Antar, especialista em Game Design e diretora da ERA Game Studio, do mercado de jogos  era a falta de conhecimento sobre mulheres atuando na área.  (Leia entrevista nessa edição). A percepção que Ana tinha é resultado de um silêncio histórico sobre mulheres que foram pioneiras em desenvolvimento de jogos, como Carol Shaw.

Apesar do número pouco expressivo, as desenvolvedoras dizem acreditar que há um avanço a se comemorar. Ana diz que antes as mulheres não tinham muito espaço, enquanto hoje são mais vistas. “Dez por cento é pouco em número absolutos, mas comparado ao número de mulheres trabalhando nos anos 80 e 90 e início dos 2000 é muito e isso faz diferença”, reitera Mariá Scárdua, do estúdio Trinca.

Entre os jogadores de games, o preconceito ainda é grande. No final de 2016, a Women Up Games criou a campanha #SerMulherEmGames para que jogadoras pudessem compartilhar as “alegrias e desabafos” sobre ser mulher no ambiente dos jogos. O resultado é triste, como pode ser visto abaixo.

Os fóruns online de debate sobre jogos eletrônicos são um dos lugares preferidos para disseminar preconceitos contra jogadoras segundo Jéssica Nascimento, jogadora do popular League of Legends. A jornalista, formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fez seu trabalho de conclusão de curso sobre os estereótipos de personagens femininas em jogos  online e identificou pontos da cultura machista reforçados por jogadores e empresas desenvolvedoras desses games.

Nos fóruns, é possível ler vários tipos de ofensas. “Quando eu estou jogando e cometo um erro, os jogadores costumam fazer piadas machistas, dizer que meu lugar não é aqui ou que eu deveria lavar uma louça. Além de diversos desaforos com conteúdo impróprio e sexual. A questão do assédio é bem forte. Muitos jogadores ficam fazendo gracinhas e pedindo fotos, sempre duvidando das suas habilidades. Você sempre vai ser a mais fraca, a que precisará ser protegida”, diz Jéssica.

Para virar expert

Tem interesse no mundo dos games? A Universidade do Estado da Bahia (Uneb) começa a ofertar vagas em 2017 para o primeiro curso de graduação na área de games da Bahia. Além disso, já é possível fazer uma especialização em Game Design na UNEB desde 2010.

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