Uma deusa para celebrar e pedir a bênção

Uma deusa para celebrar e pedir a bênção

Confira a diversidade de divindades femininas cultuadas por diferentes povos na lista que equipe do ID 126 preparou  

Jasmin Chalegre e Pablo Santana| Fotos: Internet livre 

As deusas são cultuadas há milhares de anos por povos distintos. As representações e interpretações do conceito variam de acordo com o tempo, cultura e espacialidade.

Entende-se como deusa a feição feminina das deidades. Elas são o oposto ao aspecto masculino. Suas imagens estão atreladas a feminilidade, beleza extraordinária, perfeição e outros estereótipos de gênero, frutos de visões machistas e patriarcais.

Porém nem toda deusa é só do amor ou da beleza. Nossa lista irá mostrar que elas, assim como as mortais, também são fortes, guerreiras, inteligentes e senhoras do próprio destino.

1.Atena

A mais famosa deusa da mitologia grega era cultuada como a divindade da sabedoria, das artes e da inteligência. Atena é uma mulher forte e inteligente. Por isso é também a deusa da guerra e da justiça. Ela nasceu da cabeça do seu pai, Zeus, que ao descobrir a gravidez de Métis – sua primeira esposa -, e saber através do oráculo de Gaia que o filho poderia nascer mais forte que ele, a engoliu.  Tempos depois Zeus passou a sentir uma forte dor de cabeça e pediu ao seu filho Hefesto que a cortasse com um machado. Hefesto obedeceu e Atena surgiu já crescida, armada e lançando um grito de guerra.

2. Bastet

Divindade solar do antigo Egito, Bastet era representada como uma mulher esbelta com cabeça de gato, que carregava na mão o sistro, instrumento musical sagrado. Defensora e protetora das mulheres grávidas e também do baixo Egito, Bastet é uma das deusas egípcias mais antigas. Seu culto teria surgido por volta de 3.500 anos a.C. Já foi reconhecida como deusa da música e da dança. Após influências gregas, passou a ser reconhecida também como deusa da lua.  A protetora dos partos e das mulheres grávidas teria, segundo o mito, um passado bem sangrento, onde teria sido a deusa-leoa Sekhmet, que quase dizimou parte da humanidade por ordem de Rá.

3. Hina

Para alguns mitos polinésios, Hina era a filha da Senhora da Paz e a primeira mulher da terra. É de seu ventre que irá nascer todos os outros seres vivos do planeta. Representada como uma deusa lunar, é a rainha guerreira da ilha das mulheres e vistam também como a Grande Mãe da Morte.  É uma deusa de mudanças e, assim como a lua, possui fases.

4. Aine

A rainha das fadas é a deusa celta Aine. É uma deusa irlandesa, conhecida também como deusa solar, soberana da luz, da fertilidade da terra e do amor. Seu nome significa prazer, alegria, esplendor. Aine é a divindade guia, que ajudava os viajantes perdidos. Seus cultos estavam associados ao período de solstício de verão.

5. Grande Mãe 

De acordo com os escritos Wicca, existe um princípio criador que não tem nome e nem definição. Desse princípio, surge os dois grandes extremos que deram origem ao universo e a todas as formas de vida existente.A Grande Mãe é representada em três faces: a Virgem (lua crescente), a Mãe (lua cheia) e a Velha Sábia (lua minguante). A Deusa Tríplice venera o poder feminino e a energia da mulher, além de ser a contraparte feminina presente em todos os homens, tão reprimida pela cultura patriarcal. A Grande Mãe é a geradora de todos, o útero de toda criação. É também ligada aos mistérios lunares da intuição, da noite, da escuridão e da receptividade.

6. Maria Mãe de Deus

A virgem mãe é, para os cristãos católicos, o símbolo de pureza e devoção. Maria era uma menina de 15 anos, prometida em casamento a José, mas antes do matrimonio acontecer, a jovem concebeu pelo poder do Espírito Santo e deu à luz ao filho de Deus.A fé na mãe de Jesus é tão forte, que Nossa senhora, como é chamada por seus devotos, possui em sua ladainha mais de 50 títulos, que são provenientes de características especiais que possui.

7. Iemanjá 

Mãe de quase todos os orixás, Iemanjá é a deusa da nação Egbé, na Nigéria, povo que viveu próximo ao rio Yemonja. Filha do soberano dos mares, Olokun, seu nome significa “mãe dos filhos-peixe”. É a orixá que preside a formação da individualidade, que está na cabeça, portanto está presente em todos os rituais das religiões afro-brasileiras. É também conhecida por outros títulos como  Janaína. Em Salvador ela é festejada no dia 2 de fevereiro e é a protetora dos pescadores.

8. Pomba Gira

A grande mensageira entre o mundo dos humanos e o  mundo dos deuses. Há informações equivocadas como a sua associação a forças maléficas. É apresentada em algumas tradições como a personificação feminina de Exu, divindade que guarda as encruzilhadas e faz a ligação entre a terra e o orum, onde estão as divindades. É cheia de força e sedução e vai de encontro a tudo que é ditado pela sociedade conservadora. Não aceita a submissão e o recato impostos ao sexo feminino.

9. Lakshmi

Deusa hindu da prosperidade e riqueza, Lakshmi representa pureza, generosidade, e também incorpora a beleza, graça e charme.Seu maior ensinamento é que o esforço constante governado com sabedoria e pureza traz prosperidade material e espiritual. Lakshmi significa boa sorte para os hindus. Ela é  representada por uma mulher de pele dourada, com quatro mãos, sentada ou em pé sobre uma flor de lótus desabrochada e segurando um botão da mesma planta, que representa a beleza, pureza e fertilidade.

10. Tara

Personificação feminina de Buddha, é conhecida na China como Kuan Yin e no Japão como Kwannon. Nasceu sentada em uma flor de lótus dentro de um lago formado a partir das lágrimas de compaixão do Bodhisattva Avalokiteshvara. É a grande deusa do equilíbrio e da cura, mas também pode ser considerada Deusa da Libertação, Início, Compaixão, Sucesso e Conquistas.

11. Jaci 

Deusa da lua, dos amantes e da fertilidade de vários dos povos indígenas brasileiros, principalmente os grupos tupi-guarani. Segundo alguns mitos, ela foi criada por Tupã, o deus dos trovões e dos relâmpagos. Em outras versões foi criada pelo deus Sol, Guaraci.  A beleza e o poder aparecem como seus principais trunfos.

12. Freya

Na mitologia nórdica, a deusa mãe, Freya é a divindade do amor, sexo,  magia, adivinhação, guerra, morte, música,  flores e da riqueza. Segundo os mitos, as suas lágrimas transformavam-se em ouro. Freya é líder das Valquírias, que são as condutoras das almas dos mortos em combate.Descrita como uma mulher atraente, teve muitos amantes, mas nutria uma paixão por Loki, deus da travessura. Seu nome significa “senhora”.

13. Coatlicue

Divindade mãe de tudo que existe, deusa da vida e da morte, Coatlicue era uma virgem até que quebrou o celibato com a estrela Mixcoatl, tornando-se assim mãe de Huizilopochtli, o deus da guerra.Sua lenda mais famosa conta que foi fertilizada por uma bola de plumas, o que resultou no nascimento dos deuses astecas mais poderosos, entre eles Xolotl e Quetzalcoatl. Mas isso desagradou a sua filha Coyolxauhqui, que quis matá- la. Coatlicue foi salva por Huitzilopochtli, seu filho, que lutou e cortou a cabeça da irmã Coyolxauhqui. A cabeça da deusa foi  jogada para o céu e se tornou a Lua.É considerada a criadora primordial, anterior a qualquer outra criatura. A deusa também governava a morte definindo o prazo de vida de todas as criaturas.

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