Linhas sem láurea: mulheres ainda são minoria em prêmios literários

Lara Pinheiro e Rayllanna Lima

Desde a primeira edição do prêmio Nobel, em 1901, somente 14 mulheres venceram na categoria ‘Literatura’ — uma baixa representatividade feminina de 12%. No Brasil, em 57 edições do prêmio Jabuti — o maior do país — somente 22 mulheres foram premiadas em  “Contos e Crônicas” e “Romances”.

De acordo com relatórios da organização Vida, a desigualdade, forma um ciclo vicioso: mulheres são menos lidas, menos resenhadas e, por consequência, também escrevem menos resenhas críticas. Para lidar com o preconceito estabelecido no mercado, muitas voltam-se para o uso do pseudônimo — geralmente masculino — ou o uso de iniciais.

Um dos casos mais famosos é o de J.K. Rowling (autora da aclamada série Harry Potter). Antes do sucesso, a britânica recorreu aos dois expedientes para tentar projeção; exemplo seguido por Louisa May Alcott e as irmãs Bronte. Todas lançaram mão de nomes masculinos como último recurso por sobrevivência no mundo machista literário.

Autora da série Harry Potter, J.K. Rowling recorreu às inicias de seu nome para driblar o machismo no mercado literário. Foto: Divulgação

Entre anônimos e pseudônimos, a mulher vai, ainda que lentamente, reivindicando seu lugar de direito na literatura. A escritora gaúcha Luisa Geisler foi, aos 19 anos, a mais jovem a receber o Prêmio Sesc de Literatura, em 2011. Ao ouvir, como suposto elogio, que “escrevia como um homem”, respondeu à exaltação alterando o gênero tributário. “Escrevo como mulher, sim”.

Para mudar tal situação, ela sugere que as pessoas passem a ler mais mulheres. Parece simples e óbvio.

Tanto quanto era em 1929.

#readwomen #leiamulheres

Se ligue nas sugestões de livros escritos por mulheres e para mulheres:
Amada (de Toni Morrison); Americanah (de Chimamanda Ngozi Adichie); A Mulher Desiludida e O Segundo Sexo (de Simone de Beauvoir); O Conto da Aia (de Margaret Atwood); Mulheres que Correm com os Lobos (de Clarissa P. Estés); Jane Eyre (de Charlotte Bronte); Rumo ao Farol (de Virginia Woolf); Sobre a Beleza (de Zadie Smith); As Horas Nuas (de Lygia F. Telles); Perdas e Ganhos (de Lya Luft); Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (de Clarice Lispector); Minha Vida de Menina (de Helen Morley).

APROFUNDANDO

Para saber mais sobre a voz da mulher na literatura, o ID 126 sugere esta entrevista que a professora Rita Schimidt, integrante do Grupo de Trabalho Mulher e Literatura da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), concedeu ao Veredas.

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