Mulheres se jogam em esportes radicais

Mulheres se jogam em esportes radicais


Tem aumentado o número de praticantes do sexo feminino em esportes que levam a adrenalina a extremos

Cleane Lima| Fotos: Cícero Cotrim/Labfoto

Rapel, bungee jumping, paraquedismo, arvorismo e rafting: esportes que envolvem o gosto pela adrenalina, pelo perigo — emoções historicamente não associadas às mulheres. As que gostam de se aventurar em tais esportes são tachadas de “loucas” e “mulheres de muita coragem”.

A secretária Clívia Silva, 32, é uma das que curtem grandes emoções. Ela pratica esportes radicais há 13 anos.   “Existe o dito popular de que mulher é sexo frágil. Fomos criadas para sermos dona de casa, mas hoje esse conceito está mudando. O número de mulheres em esportes radicais está crescendo muito”, diz.

Crescimento

Mais mulheres estão praticando esportes radicais segundo a pesquisa da Adventure Travel Trade Association (ATTA), realizada em 2007 para um relatório sobre a Indústria do Turismo de Aventura no Mundo. O estudo envolveu 35 países. Foi constatado que 52% dos turistas de aventura já eram do sexo feminino. No Brasil, de acordo com a pesquisa do Instituto DataFolha, encomendada em 2015 pela Federação Brasileira de Skate (CBSk), cerca de 1,6 milhão de mulheres andam de skate. A quantia representa 19% dos quase 8,45 milhões de praticantes do esporte no país.

Os números provam que as mulheres também têm se aventurado em esportes que são predominantemente praticados por homens. Contudo, elas ainda sofrem preconceito por ser mulheres.

A advogada Jackelline Lima, 35, pratica rapel há cinco anos e diz que “o fato de nós, mulheres, sermos chamadas de loucas está muito ligado a sermos vistas como delicadas e sensíveis, enquanto o homem sempre foi visto como o provedor, o protetor —  e tinha como obrigação enfrentar qualquer coisa.”

A advogada Jacklelline Lima pratica rapel há cinco anos Foto: Leppar Adventure

Ela conta que é apaixonada por esportes radicais. “Ligada no 220, minha terapia são esportes radicais”. Integrante do grupo Leppar Adventure, já participou do Rally do Batom e relata que sempre s chamam de louca. “E, sim, acho que há um peso maior pelo fato de ser mulher”. Ela também já fez bungee jumping, saltou de paraquedas e tirolesa e afirma que as mulheres muitas vezes têm mais coragem do que os homens. “Tenho inúmeras colegas que encaram o desafio do rapel enquanto garotos fogem”.

Já a artista plástica Tânia Veloso, 56, há cinco anos pratica rapel, tirolesa, arvorismo e rafting, e diz que, além de sofrer pelo fato de ser mulher,  enfrenta o preconceito por conta da idade. “No meu caso, esse é ainda maior”, completa.

Tânia Veloso se aventurando no rapel. Foto: Cicero Cotrim/Labfoto

Como incentivo para que mais mulheres passem a praticar esportes radicais, Tânia lembra dos benefícios físicos. “Faz bem pro corpo e pra alma. A mente funciona melhor, alivia a tensão e o estresse do dia-a-dia”, pontua.

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