A loucura é muito pop

A loucura é muito pop

Dez  mulheres que vieram para mostrar que ser “a louca” nem sempre é ruim

Sara Simas | Edição de imagem: Jéssica Muniz

Na definição do dicionário Michaelis, loucura tanto pode ser uma doença mental como “ter atitudes extravagantes; insensatez; entusiasmo exagerado; tudo que ande fora das regras sociais”. O mundo da música pop está cheio de exemplos de mulheres que, na definição do dicionário Michaelis, seriam chamadas de loucas. Madonna mandou o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “chupar um pau”. Britney Spears deu a louca e raspou a cabeleira loura. Lady Gaga anda por aí com umas roupas bem estranhas. Essas garotas definitivamente não se enquadram no padrão de normalidade socialmente esperado.

Vale lembrar que, na sociedade marcada pelo machismo, qualquer mulher que decida transgredir algum padrão social é facilmente tachada de louca. Então fizemos uma listinha de grandes divas “loucas” para mostrar que elas tanto podem quebrar padrões sociais chatos e caretas quanto podem ser vítimas de um sistema social bem cruel, capaz verdadeiramente de enlouquecê-las.

Recomendamos a leitura desta matéria escutando nossa playlist temática:

Madonna

Recentemente, Madonna recebeu o prêmio de Mulher do Ano pela revista Billboard, com mais de três décadas de carreira. Ela afirmou em seu discurso na premiação que o que fez de mais ousado foi ter permanecido. Enquanto vários artistas de sua época e até alguns que surgiram depois morreram ou desapareceram dos holofotes, ela continua viva e chocando o público. Seu mais recente ato de rebeldia foi ofender o atual presidente norte americano em público, durante a última Marcha das Mulheres, em 21 de janeiro, e dizer que pensava em explodir a Casa Branca. Madonna chegou a ser chamada de terrorista e algumas feministas exigiram a retirada de sua carteirinha do clube. Ela defendeu seu discurso em suas redes sociais dizendo ser fruto de sua indignação e raiva, e que apenas utilizava metáforas para falar da situação.

Amy Winehouse

A inglesa Amy Winehouse, falecida em 2011, aos 27 anos, por abuso de bebidas alcoólicas, era a figura da diva pop fora de controle. Além de todo o talento musical e presença de palco, infelizmente teve uma vida extremamente turbulenta, com abuso de drogas e relações abusivas e problemáticas com sua família e seus companheiros. O filme Amy, do diretor Asif Kapadia,  lançado em 2016 na Netflix, mostra um pouco da vida da cantora e de como suas relações sociais e familiares contribuíram para deixá-la fora de equilíbrio e fragilizada. Amy deixou um breve e impactante legado musical. Em 2016, Back to Black completou dez anos e continua sendo um dos discos mais vendidos do século XXI.

amy winehouse

Lady Gaga

Ícone pop que chama carinhosamente seu fãs de “little monsters” (pequenos monstros), Lady Gaga ficou famosa por seus looks escandalosos (como um vestido de carne crua), e sua atitude performática no palco. Sua música marcada por referências que vão do Queen a Madonna logo de cara conquistou o público LGBT. Gaga também é hoje reconhecida como ativista dos direitos da comunidade LGBT e das mulheres. A diva tem, inclusive, uma instituição chamada Born This Way Foundation, que tem como objetivo ajudar os jovens a lidar com bullying, preconceito, e questões difíceis. Gaga também revelou, recentemente, sofrer de estresse pós-traumático por conta do abuso sofrido aos 19 anos, e que lida com isso através de meditação. A diva já teve até uma música indicada ao Oscar que trata do assunto, Til It Happens To Youque é trilha de um documentário sobre abuso sexual nos campi universitários.

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Britney Spears

Britney Spears vem, aos poucos, recuperando seu status de diva pop. Agorinha em janeiro ela recebeu os prêmios de Artista Feminina Favorita, Artista Pop Favorita, Celebridade Favorita nas Mídias Sociais e Colaboração de Comédia Favorita no People’s Choice Awards. Quem não se  lembra do triste episódio que culminou com Britney raspando os próprios cabelos? A recente morte de uma tia próxima, uma relação problemática com o ex-marido Kevin Federline, e a perda da guarda dos filhos resultou em uma Britney exausta da superexposição de sua vida e do excesso de trabalho. Logo em seguida, ela se internou em algumas clínicas de reabilitação e tomou medidas legais para se afastar do empresário, do advogado e do ex-namorado. Eles foram acusados de conspirar contra os interesses da cantora.

Hoje em dia, Britney anda mais tranqüila: assumiu uma relação com o modelo Sam Asghari e não precisa mais da reabilitação. O canal fechado Life Time está produzindo um filme não autorizado que conta sua história, com estreia prevista para o dia 18 de fevereiro.

Ke$ha

Ke$ha ficou famosa em 2009 com o single Tik Tok, música em que faz referência a escovar os dentes com uísque Jack Daniel’s. Nos anos seguintes, Ke$ha se tornou uma diva pop famosa pela sua atitude audaciosa — até que, em outubro de 2014, a cantora pediu a quebra de contrato com  o empresário musical Dr. Luke, alegando abusos promovidos pelo produtor contra ela, inclusive sexuais e físicos. Ke$ha enfrenta uma longa luta judicial para se livrar do contrato. Interessante ressaltar que, logo depois dela vir a público com essas acusações, a diva Lady Gaga também se pronunciou dizendo que, no início de sua carreira, ela sofreu bastante assédio por homens da indústria musical, e que é importante que as mulheres nesse ramo não tolerem isso.

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Brasil

As “loucas” brasileiras não podiam ser esquecidas, então listamos umas garotas que se divertem sacudindo as estruturas sociais brasileiras:

MC Carol Bandida

MC Carol é uma mulher negra, gorda, de origem pobre que, da mesma forma que compõe uma música chamando o namorado de otário e mandando ele lavar suas calcinhas, também compõe sobre a violência policial,  feminismo e história do Brasil. A carioca de 23 anos se diz feminista, e quando confrontada sobre suas composições mais antigas — como Prazer, amante do seu marido — afirma estar em constante aprendizado e desconstrução de valores machistas. Carol admitiu em entrevista à revista Trip que, sem querer, acabou se tornando uma porta voz para muitas mulheres, e que recebeu muitas mensagens de fãs que se identificam com as situações vividas por ela. A Bandida, que muitas vezes é acusada de fazer apologia à violência, também é elogiada por suas críticas mordazes aos valores sociais que atrelamos à normalidade.

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Valeska Popozuda

A dona do hino contra o recalque alheio é reconhecida também como uma funkeira capaz de empoderar mulheres. Cantando sobre ser dona de sua sexualidade, admitindo gostar de sexo, Valeska mostrou que mulher no funk é muito mais que cachorra e potranca. Valeska foi uma das cantoras responsáveis por divulgar o funk carioca para o resto do Brasil. Aos 38 anos, a ex-frentista se tornou símbolo para várias  mulheres que até então tinham vergonha de falar sobre  sexualidade.

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Karol Conka

Karol já sabia desde cedo que iria ser famosa: gostava de “tombar” já aos 16 anos quando descobriu o rap. Nascida na periferia de Curitiba, Karol, hoje com 30 anos, canta um rap despretensioso e cheio de autoestima. Suas músicas falam de uma mulher negra segura de si, que é VIP em todo lugar, tem grana para gastar, gosta de se divertir e põe os malandros em seu devido lugar. Com seu cabelo rosa e roupas chamativas, ela foi uma das atrações principais da abertura das Olimpíadas 2016, recebendo críticas positivas de gente do mundo todo.

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Rita Lee

A rainha do rock brasileiro não poderia em hipótese alguma faltar na nossa listinha. Afinal, se não fosse por uma Rita que, ainda jovem, caiu no mundo fazendo um rock híbrido e original, o que seria do pop rock brasileiro? Hoje com 69 anos, Rita é considerada uma das mulheres mais influentes do país. E já virou até tema de um musical estrelado por Mel Lisboa interpretando seu papel. Recentemente a diva lançou um livro autobiográfico que conta um pouco de tudo que já aprontou. Rita Lee — uma autobiografia tem sido bem recebido pela crítica.

Baby do Brasil

Baby vem dando o que falar após assumir um relacionamento à moda antiga (nadinha de sexo antes do casamento) com o comentarista esportivo Walter Casagrande. Baby, que na juventude ficou conhecida por sua voz e estilo marcantes ao compor o grupo Novos Baianos, hoje é pastora evangélica. Ela fundou uma igreja, o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo. E, aos 64 anos, a menina de cabelos coloridos continua dançando em cima das expectativas sociais.

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