Elas escolheram esperar

Elas escolheram esperar

Quem são e o que pensam as jovens que decidiram esperar o casamento para fazer sexo

Jéssica Muniz e Milena Hildete | Foto: Divulgação  

Quando a estudante de pedagogia Ludmilla Neves, 22, conta que decidiu fazer sexo somente depois do casamento, as pessoas costumam ficar surpresas. Evangélica, ela já foi motivo de chacota por nunca ter dado um beijo. Em uma época na qual as mulheres buscam mais liberdade sexual, parece estranho que jovens optem por não ter relações sexuais. A seguir temos algumas histórias de moças que tomaram essa decisão e não se arrependem.

“No começo foi por conta da religião, mas, com passar do tempo eu descobri que queria isso. Já até me interessei por alguns rapazes, só não cheguei a ficar”, conta Ludmilla. Ela cresceu na igreja e diz estar esperando a pessoa certa chegar.

A estudante de Jornalismo Ellen Chaves, 23, adere à mesma escolha. Para Ellen, a base do relacionamento deve estar no afeto, e ela diz enxergar mais do que prazer no sexo. “Minha ginecologista sempre associa  essa decisão a minha religião, mas é algo muito maior do que um ato religioso”, afirma.  Noiva, Ellen frequenta a Igreja Batista e está com o namorado há três anos. A estudante se orgulha da escolha que fez.  “A decisão partiu de nós dois. Já tivemos várias oportunidades, mas não aconteceu. O amor de Deus gera essa completude e nosso relacionamento é sólido”, diz a estudante.

O que parece motivo de piada para alguns é uma escolha séria para essas meninas . Um ponto que sempre gera desconforto em Ellen é a ironia das pessoas. “Tem gente que fala que meu namorado não vai suportar, mas eles não sabem de nada”, diz.

Já para Carla Ribeiro, 24, a decisão partiu de um conselho da amiga e da criação dos pais. “Não é uma escolha sem pano de fundo. Partiu do contexto em que fui inserida durante toda minha vida”, explica Carla. A estudante, que já chegou a morar dois meses com o noivo durante um intercâmbio, espera ter a primeira vez como sempre sonhou. Ela conta ainda que, quando foi doar sangue, a profissional de saúde da triagem ficou assustada.  “Ela ficou horrorizada porque soube que eu era virgem e tentou me dar uma palestra sobre a importância da vida sexual”, relata a estudante.

Privações

Todas as pessoas comuns costumam ter desejo — e quem opta por esperar precisa ter precauções. Carla, por exemplo, tenta manter o controle. “A gente se fiscaliza. Quando um fica mais fraco, o outro ajuda”, conta. A decisão de esperar partiu da estudante. “Ele já sabia do meu posicionamento antes de começar a namorar”, diz.

Ellen faz a mesma coisa. “Antes de satisfazer aos meus desejos, eu busco aquilo que vai agradar a Deus. Existe um carinho, mas não é nada fora do controle”, comenta.

Questão de escolha

O que diferencia a estudante Larissa Lima* de Carla e Ellen? Larissa também é virgem — mas, de acordo com ela, não por falta de oportunidade. Larissa foi criada na Igreja Católica, mas diz que sempre teve liberdade. “A minha religião não me impede; eu escolhi esperar  porque quero casar virgem”, explica a estudante.

Larissa, que já teve um relacionamento e atualmente namora, diz não criar muitas expectativas para  a primeira vez. “Com meu ex, eu nem falava sobre o assunto. Hoje me sinto muito mais aberta”, conta.

*nome preservado a pedido da entrevistada