Prato do dia: o puro desejo

Prato do dia: o puro desejo

Alessandra Oliveira e Daniel Oliveira | Gif: Gess Alencar

Palpitação, suor, perda de fome e sono são sensações de paixão. Os sintomas começam no cérebro e agem em todo o organismo. Podem vir também por meio de alimentos conhecidos por proporcionar ou ampliar as sensações eróticas, conhecidos como afrodisíacos – nome derivado da deusa grega da beleza, da sexualidade e do amor: Afrodite. A crença na eficiência desses ingredientes não é unanimidade entre os profissionais da área.

“Eles apresentam propriedades vasodilatadoras e estimulantes. Aumentam a termogênese (capacidade do corpo de equilibrar a temperatura interna com a do ambiente) e melhoram fluxo sanguíneo periférico, onde se incluem os órgãos sexuais”, explica a nutricionista Marijara Vilas Boas. Os efeitos causados seriam pontuais; pouco depois do consumo.

Já a psicóloga clínica e sexóloga Cláudia Alexandre duvida do potencial afrodisíaco dos alimentos pela ausência de comprovação científica. Para ela, o que estimula o desejo sexual são as atitudes e as fantasias. “Se durante a refeição houver um clima de sedução, encantamento e conquista pode ser estimulante”, diz.

Segundo Marijara, as características podem ser encontradas, em mariscos, por exemplo, que são fontes de zinco. A substância, que é precursora do hormônio testosterona, estimula as funções sexuais, tanto femininas quanto masculinas. “Regiões litorâneas de uma maneira geral são boas referências para consumo”.

Ela alerta, porém, que alguns ingredientes realmente não têm comprovação científica, apesar da fama de potencializadores do desejo sexual. São eles:

“Para homens que têm dificuldades de ereção recomendamos sempre ir a um urologista para verificar alguma questão biológica e procurar um sexólogo clínico, ou seja, um médico ou um psicólogo especialista em sexologia clínica. Não recomendamos nenhum alimento específico. Inclusive, desconheço tais alimentos”, aconselha a sexóloga.

Propagado através das tradições culturais ao longo dos séculos, o uso desses ingredientes para aumentar o apetite sexual não é mais uma novidade do mundo contemporâneo, como conta a nutricionista. “Na mitologia grega, no Oriente Médio há algumas especiarias típicas. Os índios também já utilizavam determinados alimentos para provar a sua virilidade”, assegura.