Iemanjá x Sereias: as diferenças dentro d'água

Iemanjá x Sereias: as diferenças dentro d’água

Alessandra Oliveira e Gess Alencar | Foto: Internet livre

Apesar do sereismo ser um movimento internacional, em Salvador ganha conotações muito próprias. Não é incomum que se faça ligação entre o ser místico sereia e a figura de Iemanjá, a Rainha do Mar. “No dia 2 de fevereiro levei minha cauda de sereia para o Rio Vermelho. Senti muito forte a conexão”, relata Luana Brandão, 30, adepta do sereismo

O antropólogo Edison Carneiro atenta que essa antiga confusão torna “as festas em seu louvor [à Iemanjá] uma simples reprodução das festas da sereia européia”. Ele escreveu em texto, de 1950, incluído no livro Ladinos e Crioulos, a diferença entre essa divindades do mar:

Se a sereia mora no fundo do mar, Yemanjá habita rios, fontes e lagos. Maternal, Yemanjá simboliza a fecundidade, a reprodução da espécie, a natureza em todo o seu esplendor, enquanto a sereia é a mulher fatal, que com o seu amor traz a morte. E, para completar o quadro das diferenças, Yemanjá vem ao encontro dos homens, nos candomblés, ao passo que a sereia tem de ser requestada, e solicitada com presentes, nos seus vastos domínios marítimos

Há quem veja essa junção das figuras como um processo natural. “Ao mesmo tempo em que as origens da mãe Iemanjá não estão ligadas às sereias, a cultura e a própria religiosidade é algo vivo e mutável”, opina Yunna-Warã Bamberg, 35, que se veste de sereia como profissão.

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