Batalha continua árdua

Rayllanna Lima 

Onze anos após a morte da Princesa Isabel, as mulheres conquistaram o direito ao voto (1932). A primeira brasileira a votar e ser votada foi a médica e escritora Carlota Pereira de Queirós (1892-1982), eleita deputada federal por São Paulo, em 1935. Sua companheira de bancada, a bióloga e líder feminista Bertha Lutz foi a segunda mulher a ser ouvida no Congresso.

Carlota Pereira de Queirós: pioneira na legislatura. Foto: Divulgação

O dom para liderar e a luta pela igualdade de direitos jurídicos incomodou muitas políticos da época. Bertha Lutz foi acusada pelos companheiros do próprio partido, o Autonomista, de ter fraudado as eleições. Somente depois de investigação rigorosa, ela foi inocentada e pode exercer o cargo. Seu primeiro discurso aconteceu em 28 de julho de 1936, ao ser empossada na Câmara dos Deputados, mas permanece atual.

“A mulher é metade da população, a metade menos favorecida. Seu labor no lar é incessante e anônimo; seu trabalho profissional é pobremente remunerado, e as mais das vezes o seu talento é frustrado, quanto às oportunidades de desenvolvimento e expansão. É justo, pois, que nomes femininos sejam incluídos nas cédulas dos partidos e sejam sufragados pelo voto popular”, disse.

No próximo dia 24 de fevereiro, comemoramos os 82 anos da conquista do voto feminino. Nestas últimas quatro décadas, mesmo que ainda em passos de tartaruga, a mulher vem ganhando espaço na política nacional.

De acordo com o governo federal, dentre os eleitores brasileiros, as mulheres são maioria (51,7%). Isso demonstra a necessidade do sexo feminino sentir-se representado por aqueles que administram os poderes. Tal necessidade representou um avanço nos registros nas eleições de 2012. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que o número de candidaturas femininas alcançou 31,7% do total de registros.

Contudo, a política brasileira está a anos luz de distância do ideal. Segundo site da Câmara dos Deputados federais, um estudo da União Interparlamentar, ligada à Organização Nações Unidas (ONU), colocou o Brasil em 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres no parlamento, o que significa estar atrás de países islâmicos como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos.

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