Uma louca: as dez faces da moeda

Uma louca: as dez faces da moeda

Na segunda edição, o ID 126 traz histórias de mulheres que foram e são consideradas loucas por não seguirem padrões impostos pela sociedade

Lara Pinheiro e Michelle Oliveira

A mulher foi chamada de louca inúmeras vezes ao longo da história. Para isso, bastava desviar dos padrões que a escravizavam, como ocupar lugares de poder tradicionalmente masculinos; utilizar roupas consideradas inadequadas; decidir não ser mãe; se masturbar; praticar esportes radicais; entre muitos outros.

A primeira documentação da famosa “histeria” feminina data do século XIII. Os sintomas (ansiedade, falta de sono e irritabilidade) eram aliviados com masturbação — praticada em consultórios por médicos e enfermeiras. No início do século XX, o vibrador foi popularizado, dando às mulheres condições de ter (o mínimo) de controle sobre sua sexualidade. Ainda assim, masturbação continua sendo, até hoje, tabu.

Já em 1792, Mary Wollstonecraft disse que desejava que as mulheres tivessem controle sobre si mesmas. O controle sobre o próprio corpo é outro ponto pelo qual mulheres têm lutado desde sempre. Ainda que tenhamos alcançado muitas conquistas, as decisões que tomamos sobre os nossos próprios corpos — como a de não fazer sexo antes do casamento ou de não ter filhos — continuam a ser questionadas, principalmente quando não seguem as expectativas patriarcais da sociedade.

Com o peso do mundo nos ombros — tendo, sobre si, a carga de ser mãe, esposa, profissional e, somente por último, mulher — frequentemente temos problemas em pedir ajuda. Seja quando precisamos de uma babá, uma bicicleta ou somente colo, o ato de pedir ajuda nunca vem de fraqueza.

E, falando em fraqueza, quantas vezes já ouvimos que somos o sexo frágil? Tal qual bonecas de porcelana, somos protegidas desde a infância para sermos educadas, comedidas, “sentarmos que nem mocinha” e não sujarmos a roupa. Para provar que essa história de que “menina é mais quieta” é balela, trouxemos uma matéria sobre mulheres que se aventuram em esportes radicais — apesar de todo o preconceito.

Não precisamos nos reportar a uma época muito distante para lembrar como as mulheres são vistas na política. A recente derrota de Hillary Clinton nos EUA — para não mencionar a misoginia direcionada à ex-presidenta Dilma Rousseff durante o impeachment — nos mostram que a mulher ainda é vista como louca e incapaz de governar um país, tendo suas decisões constantemente postas em xeque.

Na moda, as mulheres também foram vistas como loucas por quebrarem padrões considerados “femininos”. Por muito tempo, utilizar calças era proibido para elas. Até 2013, na França, uma lei proibia que mulheres usassem calças. Decotes, biquínis e minissaias ainda hoje são itens que geram discussões sobre o guarda-roupa feminino.

Foi graças às mulheres que revolucionaram o mundo da moda, de certa forma, que surgiu o movimento drag. Ele permite que homens possam exagerar e incorporar aspectos do feminino em sua vestimenta e modo de agir. O aumento da presença desse tipo de manifestação nas ruas, e não somente em circuitos LGBT, também é pauta desta edição.

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