KaliMa: estúdio garante representatividade e conforto às mulheres

KaliMa: estúdio garante representatividade e conforto às mulheres

Estúdio de tatuagem com equipe formada só por mulheres tem fornecido segurança e conforto às clientes

Por Paula Holanda

“Kali” ou “Cali” é uma divindade hinduísta que simboliza a natureza e a morte do ego. Mãe do universo e destruidora de toda a maldade do mundo, ela é representada por uma mulher de pele escura com quatro braços, um colar de crânios humanos e saia de membros decepados. Em fevereiro de 2016, as amigas e estudantes de arquitetura Gabriella Brito e Nabila Hage decidiram homenageá-la nomeando um estúdio de tatuagem de equipe composta totalmente por mulheres, o KaliTattoo Studio— localizado na Rua Flórida, Graça. Em março do mesmo ano, as garotas descobriram que o tatuador Flávio Cabelo, de São Paulo, já havia inaugurado um estúdio de mesmo nome. Gabriella e Nabila, então, decretaram que o estúdio passaria a se chamar KaliMa — a deusa Kali é também chamada por “KaliMa”, todavia, as garotas escolheram simplificar o nome em uma única palavra.

Gabriella e Nabila. (Foto: Reprodução do Facebook)

Além de Gabriella e Nabila, tatuam no estúdio Fe Albuquerque, Lis Nogueira, Tatyana Mercês, Bianca Gonzalez, Vanessa Vergne e Helen Fernandes — essa última, conhecida pelo recém-viralizado projeto “Malfeitona Tatuagens Peba”. Ao final de 2016, a equipe foi integrada também por Yara Sumaimana, única bodypiercer do estúdio. O estúdio realiza flashes de tatuagem com frequência e às vezes recebe tatuadoras de fora como convidadas, como a cachoeirense Jessica Rodrigues e as paulistanas Bru Simões e Mariana Fiori. O KaliMa é o primeiro estúdio de Salvador com uma equipe exclusivamente feminina e, apesar de aceitar clientes de ambos os gêneros, conta apenas com funcionárias e artistas mulheres desde a sua criação — a reforma da casa e as ilustrações que decoram as paredes do ambiente também foram todas realizadas por mulheres (entre elas, as desenhistas Camila Schindler, Julia Saba, Luana Vellame, Iasmim Salume e Juliana Bestetti).

Um espaço exclusivamente feminino dedicado à tatuagem pode servir como um porto seguro às meninas — tanto clientes, quanto profissionais —que buscam evitar assédios e manifestações de machismo, que ainda são recorrentes em estúdios de tatuagem. O interesse de Nabila em trabalhar exclusivamente com mulheres, por exemplo, surgiu depois que ela foi assediada pelo instrutor com quem ela aprendeu técnicas de tatuagem. “A importância de um espaço como o KaliMa é que, além de fortalecer o trabalho de outras mulheres, você acaba mobilizando um cenário menos hostil”, diz Juliana. “Um espaço exclusivamente feminino garante representatividade e conforto; por isso que é tão importante”, argumenta Mariana Desterro, cliente do estúdio. “Já fui assediada por um bodypiercer e foi muito bizarro, fiquei muito desconfortável com a situação”.

O estúdio KaliMa. (Foto: Reprodução do Facebook)

A recepção ao KaliMa tem sido bem positiva — os clientes em geral afirmam que os preços são acessíveis e as tatuadoras são bastante profissionais. “Eu achei o preço da minha tatuagem super coerente com o trabalho, a qualidade, o tratamento. Afinal, tatuagem é uma arte, não é?”, diz a cliente Gabriela Oliveira. Para a cliente Letícia Grappi, “os preços não são nem baratos, nem caros. Estão na média”. Quanto à limpeza do KaliMa, são as próprias tatuadoras que ficam responsáveis— o estúdio não tem funcionários e toda a logística fica por conta da equipe. “O estúdio é muito limpo e organizado, ao final de cada tatuagem, Nabila costuma varrer o chão e dar um grau no ambiente”, conta Mariana. Os gastos com materiais de limpeza, bem como o aluguel, são divididos entre as tatuadoras.

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